O homem da casa
Eduardo acorda cedo e, como de costume, não faz a cama. Não tem de se trocar, dormiu de roupa. Toma um café preto e ralo e sai de casa tremendo de frio. Não calçou o Nike, preferiu o sapato velho, já que sabia bem aonde tinha de ir. Como companhia, um cajado pequeno como seu tamanho, dois sacos vazios de supermercado e um lenço que sua mãe lhe amarra no pescoço. Em determinado momento esse lenço vai servir para cobrir seu nariz e sua boca: lá há gases, cheiros, micróbios e outras porcarias. Era o lenço de seu pai, agora é seu, pois virou o homem da casa. A mãe grita da porta: “Não esquece de cobrir os olhos também e não respire a fumaça.”
Depois de andar por mais de trinta minutos, Eduardo chega ao monte enorme. Percebe que está atrasado e quase não há onde fuçar: mais de cinquenta meninos chegaram antes e fuçaram primeiro. Mesmo assim, Eduardo cobre o rosto com o lenço, mete os pés no monturo e com o cajado espanta os urubus.
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